25.10.2005
IMPORTÂNCIA
DA PSICOLOGIA DO ESPORTE NA EQUITAÇÃO
Busato, A.¹, Catenaci, U.²,
Culpi, F. S. ³; .Furquim, S. 4
1 Orientador do Projeto, 2 Acadêmico
do Curso de Ciências Eqüinas
, 3 Co-orientador 4 Colaborador
Curso
de Ciências Eqüinas
Pontifícia Universidade Católica
do Paraná
Resumo
– As crianças que praticam
equitação na maioria das
vezes é por gostar de cavalos e
para divertir-se a partir do momento que
iniciam-se em competições
esportivas começam a aparecer vários
problemas de comportamento que irão
interferir na performance das crianças.
O objetivo foi de verificar o nível
de ansiedade e alguns fatores que influenciam
estes atletas. Percebemos a importância
de um consultor em psicologia do esporte
atuando nas escolas de equitação
para auxiliar as pessoas envolvidas e
aumentar o desempenho dos atletas.
Palavras-chave:
equitação, psicologia, freqüência
cardíaca,ansiedade
Introdução
Os
primeiros momentos que antecedem qualquer
competição esportiva são
o bastante para fazer o coração
de qualquer atleta bater mais forte.
A ansiedade é um estado emocional
negativo com sentimentos de nervosismo,
preocupação e apreensão
São vários os fatores que
influenciam na ansiedade e na tensão
competitiva que foram observados e estudados
neste trabalho. Alguns sinais como batimentos
cardíacos alterados, respiração,
mãos frias e úmidas, necessidade
de urinar freqüentemente, sudorese,
diálogo interior negativo, olhar
aturdido, tensão muscular aumentada,
estomago embrulhado, indisposição,
dor de cabeça , alguns destes sintomas
foram observados no dia da competição.Quais
os motivos que desencadeiam este estado
emocional e como o psicólogo do
esporte poderá atuar neste esporte.
Metodologia
Os
métodos utilizados foram de observação,
questionamento e investigação
de alguns dos meios externos relacionados
à postura dos iniciantes.
Foram feitas pesquisas de campo por meio
de acompanhamento de seis indivíduos
com idade entre 10 e 13 anos,cinco do
sexo feminino e um do masculino que iriam
competir em uma prova hípica pela
primeira vez e tinham no mínimo
um mês de experiência na escola
de equitação. Este grupo
foi observado no treinamento e nas competições
hípicas. Foram feitas entrevistas
com os pais, instrutores e com os próprios
atletas.Para medir a freqüência
cardíaca do grupo foram utilizados
monitores marca(POLAR A3 )foram medidos
em repouso, em treinamento e na competição.
Ainda foi procedida pesquisa bibliográfica,
uma vez que o assunto tem pouquíssimo
material disponível no que se refere
a psicologia do esporte aplicada a equitação.
Resultados
Na observação realizada
medindo a frequência cardíaca
das crianças no paddock (logo antes
de entrarem na pista de competição)
e na avaliação através
de observação dos sintomas
gerais de ansiedade, pudemos perceber
que ao montar para participar de uma prova
o nível de ansiedade dos pesquisados
já estava alterado.Os resultados
de todos os pesquisados demonstrou em
média um aumento de 30bpm(batimentos
por minuto)da freqüência cardíaca
de repouso para a freqüência
no paddock, e de 70bpm para a freqüência
cardíaca ao terminar a prova.
Por conta dos questionários e observações
e nos treinos e mesmo nas prova, verificamos
ainda que os pais têm um papel muito
grande no desempenho de seus filhos. Talvez
mais do que os instrutores. Suas atitudes
e comportamentos têm efeitos muito
importantes, tanto positiva como negativamente.
Portanto, segundo (Weiberg e Gold), a
participação bem sucedida
dos pais no esporte pode ser difícil,
mas vale a pena. Foi extremamente eloqüente
o resultado de nossa observação,
onde o sujeito que tinha os pais de perfil
psicológico mais calmo, sem demonstrar
nervosismo, preocupação
excessiva e ansiedade , apresentou os
melhores resultados entre as crianças
observadas, enquanto que o sujeito que
tinha os pais com maiores alterações
teve a pior performance entre todos os
pesquisados.
Em treinamento e competição,
todos os cavaleiros estão sujeitos
a ansiedade e stress, e possivelmente
aqueles que melhor sabem lidar com isto
são aqueles que conseguem as melhores
classificações.
Portanto a Psicologia do Esporte torna-se
praticável na Equitação
a partir do momento que poderá
criar para os cavaleiros numerosas oportunidades
para mudar seus antigos hábitos
e atitudes, de perceber o que compromete
sua performance ou o divertimento no esporte.
Oferece aos cavaleiros uma variedade de
formas que irão melhorar sua confiança,
competência e auto-controle. Pode-se
trabalhar individualmente cada cavaleiro,
treinador e seus pais e criar rotinas
individuais para cada um deles dentro
de suas necessidades.
A Psicologia do Esporte poderá
ajudar no controle do temperamento das
pessoas quando intenso demais e ensinar
os praticantes a se divertirem. Se divertir
no processo de montar em vez de se preocupar
exclusivamente em ganhar, pois a preocupação
em ganhar interfere com o prazer de montar.
Os pais devem entender que o mais importante
ao iniciar seus filhos na vida esportiva
– em qualquer esporte que seja -
é saber o bem que isso pode fazer
à criança em um todo, independentemente
de vitórias ou troféus.
Além disso, a prática de
esportes desde a infância traz benefícios
para toda a vida e ensina a criança
que o resultado só depende dela.
Elas aprendem a lidar de frente com as
alegrias e decepções que
podem acontecer a cada competição.
O esporte é uma fonte rica em relacionamentos
e ótimo para a saúde física
e mental.
Na Equitação, além
do cavalo e cavaleiro, muitas pessoas
estão envolvidas em uma competição:
amigos, familiares, treinadores, público
etc., o que acaba gerando um alto nível
de expectativa ao redor do competidor.
A expectativa de obter o reconhecimento
pela sua equitação, a tentativa
de agradar e formar opiniões positivas,
a expectativa de ganhar a prova ou mesmo
a expectativa de cair do cavalo. O cavaleiro
mal treinado, pouco confiante, com pais
ansiosos e com pouca interação
com seu treinador terá certamente
sua performance afetada e a cada resultado
negativo a expectativa e a pressão
serão maiores, gerando um efeito
“bola de neve” que poderá
acabar culminando com a desistência
do esporte.
Discussões
e Conclusões
Pudemos
concluir que através de experiências
esportivas positivas como a auto-percepção,
a motivação, o prazer na
atividade, atitudes positivas em prol
dos valores da atividade física
per si, capacidade de lidar com a ansiedade,
e atitudes esportivas formam o âmago
das características que supre as
justificativas do esporte competitivo
(Wiggins,1987).
Pude concluir que as crianças entram
no esporte para divertir-se e a partir
do momento que se iniciam nas competições
um dos fatores que mais influência
no aumento de seu nível de ansiedade
são as manifestações
das pessoas que estão ao seu redor,
suas atitudes e comportamentos irão
interferir de maneira intensa no esporte.
Temos que ter em mente que diversão
mais prazer geram resultados satisfatórios.As
escolas de equitação muito
podem fazer para contribuir para a iniciação
esportiva destas crianças trabalhando
em conjunto com profissionais da área
de psicologia do esporte e os mesmos atuando
como consultores na prática da
equitação, trabalhando em
conjunto com instrutores e todos os envolvidos
no esporte.
Referências
1) COLEMAN,J.S.Youth:Transition to adulthood.Chicago.
1974 2) WALLACE.J. Teaching Children to
Ride. 2002. 3) WEIBERG, Robert. GOLD,Daniel.
Fundamentos da Psicologia do Esporte e
do Exercício. 2001. 4)WIGGINS,D.K.
The history of sport psychology in North
America.1987.